Eletrólitos para o atleta: por que o sódio, o potássio e a sua equipe importam

Explicamos o que são os eletrólitos, como os rins mantêm o seu equilíbrio e por que numa distância longa importa não só beber água, mas também repor os sais.

AL
Andrey Leskov

O trigésimo quilômetro de uma maratona: o ritmo ainda se mantém, mas as panturrilhas travam com tanta força que dá vontade de sentar ali mesmo no asfalto. Ou outra cena: uma corrida de bicicleta no calor, você bebeu direitinho dois cantis de água pura — e perto da chegada sente enjoo, a cabeça roda e, por algum motivo, tudo só piorou. Nos dois casos, nos bastidores, trabalham (ou se rebelam) os eletrólitos. Isso não é uma palavra de marketing no rótulo de um isotônico, mas fisiologia bem concreta. Vamos entender.

O que são os eletrólitos e o que fazem

Segundo a definição do Merck Manual, os eletrólitos são minerais que carregam uma carga elétrica quando dissolvidos num líquido, como o sangue. É justamente essa carga que transforma o sal comum em um sinal "elétrico" sobre o qual se apoia o funcionamento do organismo.

O conjunto clássico de eletrólitos do sangue que se observa nos exames é sódio, potássio, cloro e bicarbonato. O trabalho deles, de acordo com a obra de referência, resume-se a três grandes tarefas:

  • regular o funcionamento dos nervos e dos músculos;
  • manter o equilíbrio ácido-base;
  • conservar o equilíbrio hídrico.

Aqui o sódio desempenha o papel central: ajuda o organismo a manter um nível normal de líquido nos compartimentos hídricos do corpo. Para o atleta, isso se traduz diretamente: o impulso nervoso que faz um músculo se contrair e a estabilidade do meio interno durante horas de esforço dependem de que esses minerais estejam dentro da norma.

A esse quarteto o atleta deveria acrescentar cálcio e magnésio — também eletrólitos, intimamente ligados à contração muscular e à transmissão dos sinais nervosos. Não fazem parte do painel "eletrolítico" padrão do sangue, mas para entender por que os músculos trabalham de forma uniforme, e não com espasmos, convém tê-los em mente.

Quem cuida do equilíbrio: os rins

Os eletrólitos não podem simplesmente ser "acumulados de reserva". A concentração deles deve permanecer num corredor estreito, e o principal maestro, aqui, são os rins. O Merck Manual descreve o mecanismo assim: os rins filtram os eletrólitos e a água do sangue, devolvem uma parte e eliminam o excesso na urina. Em essência, todos os dias eles fecham o balanço entre o que ingerimos com a comida e a bebida e o que sai com a urina.

Um detalhe importante, que explica metade dos problemas na distância, é a osmose. Se a concentração de eletrólitos num compartimento é alta, o líquido se desloca para lá; se é baixa, o líquido sai para fora. Ou seja, a água no corpo vai atrás dos sais, e não o contrário. Daí uma conclusão simples: despejar água sem eletrólitos significa diluir o sódio e empurrar o líquido para onde não é preciso.

O que se perde com o suor

A obra de referência lista as causas pelas quais o equilíbrio se rompe: desidratação ou, ao contrário, excesso de água, certos medicamentos, doenças do coração, dos rins e do fígado, volumes incorretos de infusões intravenosas. Para o atleta saudável, o principal desses pontos é a água: tanto a sua falta quanto o seu excesso.

Com o suor perdemos antes de tudo sódio (o gosto salgado do suor e as manchas brancas no boné são ele). Quanto mais longo e quente o esforço, maiores as perdas totais. E é aqui que os amadores cometem um erro clássico: bebem muita água pura, achando que "o principal é não desidratar". Mas se você repõe só água e não devolve o sódio, a concentração de sódio no sangue cai — esse estado se chama hiponatremia, e nas ultramaratonas é mais perigoso do que uma leve desidratação.

Como aplicar na prática

  • Não beba "vazio" em distâncias longas. Tudo o que dura mais de cerca de uma hora a uma hora e meia de esforço intenso no calor é motivo para acrescentar eletrólitos à bebida, e não só água.
  • Conheça o seu suor. Manchas salgadas na roupa e no rosto são um sinal de que você está perdendo muito sódio e precisa de um plano de hidratação mais "salgado".
  • Planeje, em vez de se salvar na hora. Estime suas perdas de líquido com antecedência (uma calculadora de perda de água ajuda nisso) e beba conforme um plano, não conforme a sede, que na corrida mente.
  • Não trate qualquer cãibra com magnésio. As cãibras têm muitas causas — fadiga, ritmo, sais — e uma pílula mágica não resolve o problema. Trabalhe com uma estratégia geral de hidratação e nutrição.
  • O mito "quanto mais água, melhor" é perigoso. Beber demais é tão real quanto beber de menos, e as consequências podem ser mais graves.

O essencial

  • Os eletrólitos são minerais com carga elétrica; os principais no sangue são sódio, potássio, cloro, bicarbonato, e para os músculos do atleta importam ainda o cálcio e o magnésio.
  • Eles regulam o funcionamento dos nervos e dos músculos, além do equilíbrio ácido-base e hídrico.
  • O equilíbrio é mantido pelos rins: filtram, devolvem uma parte, eliminam o excesso na urina, fechando entrada e saída.
  • A água no corpo vai atrás dos sais (osmose) — por isso importa não só a água, mas os eletrólitos nela.
  • Com o suor sai antes de tudo o sódio; numa largada longa e quente reponha os sais, e não só a água, para não pegar uma hiponatremia.

Fonte: Merck Manual — Overview of Electrolytes. https://www.merckmanuals.com/home/kidney-disorders/electrolyte-balance/overview-of-electrolytes